Procurava o brilho de nenhuma estrela no céu de fachada
apenas observava o brilho estridente de uma rajada
nessa mesma hora batia o sino pequenino de Belém
na madrugada da rua escura não nascia ninguém
a astúcia abrupta de sua malandragem estufava no peito
a imensa estúpida coragem talvez lhe impusesse respeito
Correu como menino que era
através das dobras e trevas
raptou aquilo que não era seu
um relógio da herança de quem já morreu
Atravessou a noite, pasmo, de sua aventura impura
cortou as amarras, casco, de sua candura pura
desviou de obstáculos, nulo, de seu obscuro
trilho o caminho, rindo, do seu umbigo
despejou os quilos de pedra dos decretos de leis
mergulhou de um vez nas amargas águas desses reis
Correu como menino que era
através das dobras e trevas
carregando um objeto de valor
causando os rebuliços da dor
Voou pela beirada da calçada de uma ingrata sociedade
deixando escapar o prêmio da mísera eternidade
fugiu das garras de uma repressão atrasada
que se aproximava com a raiva arrastada
o equilíbrio se foi na hora que o relógio caiu
ninguém acreditou no que viu e no que ouviu
Sobreviveu como forte que era
através do choque com a rua deserta
foi carregado nos braços todo quebrado
levado as pressas para algum reparo
Lá disseram que tinha conserto
não tinha perdido o seu valor
todos acordaram para o seu alívio
desaparecendo o resto do pavor
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
sábado, 18 de dezembro de 2010
Dia de José
despertador tocou, tá na hora de acordar José
de levantar, lavar o rosto e ir para o batente
uma reza ao pé da cama para não perder a fé
um rosto castigado, já magoado e nada contente
Esperar no ponto e enfrentar onibus lotado
pensar nas contas que vão passar do vencimento
olhar pela janela e ver tudo passar tão rápido
não pense que ninguém conhece esse lamento
reclama do trabalho, quase cai no assoalho
diz que essa tristeza ainda vai matar
machucado de desgosto, cheio de cansaço
volta para a casa e chega no mesmo lugar
quando passa e começa um samba antigo
trazendo tudo aquilo que o tempo levou
vai derramar lágrimas num peito amigo
caindo a injúria da vida no dia que acabou
Vai José vai...
cantar até de manhã
e pedir mais um bis
Vai José vai...
amar até amanhã
e fazer alguém feliz
de levantar, lavar o rosto e ir para o batente
uma reza ao pé da cama para não perder a fé
um rosto castigado, já magoado e nada contente
Esperar no ponto e enfrentar onibus lotado
pensar nas contas que vão passar do vencimento
olhar pela janela e ver tudo passar tão rápido
não pense que ninguém conhece esse lamento
reclama do trabalho, quase cai no assoalho
diz que essa tristeza ainda vai matar
machucado de desgosto, cheio de cansaço
volta para a casa e chega no mesmo lugar
quando passa e começa um samba antigo
trazendo tudo aquilo que o tempo levou
vai derramar lágrimas num peito amigo
caindo a injúria da vida no dia que acabou
Vai José vai...
cantar até de manhã
e pedir mais um bis
Vai José vai...
amar até amanhã
e fazer alguém feliz
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Meio-dia
Meio-dia
O dia começa com a esperença futura da alegria
Meia-hora
A hora passa no ritmo dos soluços de quem chora
Tentativa irreal de segurar o tempo com as mãos
optativa de quem apenas quer uma oportunidade
na cadência revelada dos tantos e tantos nãos
desembarcam em cruzadas sangrentas de verdade
Meia-hora
A hora se esconde atrás da pequena aurora
Meio-minuto
O minuto cristalizado na crosta do mundo
O real se mostra a partir de ossos quebrados
sofrimento de quem ama a chama na varanda
na dessarumação imposta de partes de quadros
recheados da covardia de quem está na cama
Meio-minuto
O minuto instaura o preconceito de maluco
Meio-segundo
O segundo traz o intransponível muro
entoa a balada do décimo ciclo da morte
nossos corpos encaixam no ritmo do jamais
o impossível corte na face do norte
liberam pequenas coisas que não voltam mais
Meio-segundo
O segundo que tem medo do escuro?
Meio-dia
O dia começa no momento que ia
O dia começa com a esperença futura da alegria
Meia-hora
A hora passa no ritmo dos soluços de quem chora
Tentativa irreal de segurar o tempo com as mãos
optativa de quem apenas quer uma oportunidade
na cadência revelada dos tantos e tantos nãos
desembarcam em cruzadas sangrentas de verdade
Meia-hora
A hora se esconde atrás da pequena aurora
Meio-minuto
O minuto cristalizado na crosta do mundo
O real se mostra a partir de ossos quebrados
sofrimento de quem ama a chama na varanda
na dessarumação imposta de partes de quadros
recheados da covardia de quem está na cama
Meio-minuto
O minuto instaura o preconceito de maluco
Meio-segundo
O segundo traz o intransponível muro
entoa a balada do décimo ciclo da morte
nossos corpos encaixam no ritmo do jamais
o impossível corte na face do norte
liberam pequenas coisas que não voltam mais
Meio-segundo
O segundo que tem medo do escuro?
Meio-dia
O dia começa no momento que ia
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Flores do meu jardim
Hortência
Na noite fria de um inverno
ela nasce no seu canto
com as pétalas para céu
enrolada no próprio véu
Mostra o azul de suas pétalas
na tristeza do seu solo
Mostra o rosa de suas entranhas
na timidez do seu colo
Presa dentro do caule
Essa mulher não se solta
Acaricia a vida
com as pontas da sobra
Vai segurando as gotas
Lágrimas que vem da chuva
e não se esgota
de procurar uma curva
Na estrada que a acompanha
nas horas desses dia
ela segue sem fazer manha
com tudo o que ela escondia
Não há olhares da janela
a solidão do seu bem
fica apenas para ela
e para mais ninguém
Margarida
Ela vem cheia de graça
com gosto de carnaval
Um jeito que abraça
e passa como um vendaval
Mostra suas pétalas para o mundo
e quer um toque profundo
de corpos que se chocam
acabam e se esfolam
Atenção em todas as direções
Tiros de canhões
Um sorriso liberto
de uma estrela decadente
E do seu solo, nasce forte
se entrega completamente
ao seu samba de raiz
Ela sempre pede bis
Na batucada de bamba
seu coração fica perdido
pedindo alguma chama
de um fogo não acendido
Uma explosão de passos
com as palavras que canta
emocionando os seus olhos
de uma alegria que encanta
E morreria feliz
escutando o seu último samba
Rosa
Ela vai vivendo cada instante
com a cor que aparecer
Com seu espírito delirante
ela quer apenas conhecer
Com os olhos pela vida
ela fica a esperar
para ser compreendida
por alguém que saiba cantar
E sempre esquecida
ela quer se mostrar
sempre com a mesma ferida
não aguenta mais chorar
Na sombra da mesma árvore
ela implora um pouco de sol
Para seus raios suaves
penetrarem no seu desabrochar
De pétalas que se abrem
De corações que se encontrem
De beijos que se unem
De sorrisos que se entendem
Já não quer as mesmas palavras
que vem de todos os lados
E fica toda boba
quando alguém quer seus encantos
Se o medo vai para cá
Ela vai para lá
Se o mundo vem com a dor
Ela vai com o seu amor
Jasmim
Para ela não tem versos rimados
Vai tirando o pouco de significado
das palavras faladas por essas pessoas
de bocas amarelas e arredondadas
Quando ela passa por aqui
Vai nascendo por ai
Essa flor não fica presa a terra
De seus olhos rasgados
De uma embriaguez maluca
Vai distribuindo sorrisos
manchados com sua loucura
Essa flor vem debaixo do vento
De sonhos imagináveis
De uma alegria imutável
Sentem a presença natural
de seu amor inquebrável
Essa flor vai embora com as outras
De sua crença nos sentidos dobrados
De sua esperança fatídica
Voam no céu dessa menina
que ainda toma banho de chuva
Se o mundo vem a encontrar
Ele vai sem querer mudar
Essas flores
Elas vêm e vão
Na mesma ou em outra direção
Dentro de um pouco de felicidade
Vão deixar uma imensa saudade
Na noite fria de um inverno
ela nasce no seu canto
com as pétalas para céu
enrolada no próprio véu
Mostra o azul de suas pétalas
na tristeza do seu solo
Mostra o rosa de suas entranhas
na timidez do seu colo
Presa dentro do caule
Essa mulher não se solta
Acaricia a vida
com as pontas da sobra
Vai segurando as gotas
Lágrimas que vem da chuva
e não se esgota
de procurar uma curva
Na estrada que a acompanha
nas horas desses dia
ela segue sem fazer manha
com tudo o que ela escondia
Não há olhares da janela
a solidão do seu bem
fica apenas para ela
e para mais ninguém
Margarida
Ela vem cheia de graça
com gosto de carnaval
Um jeito que abraça
e passa como um vendaval
Mostra suas pétalas para o mundo
e quer um toque profundo
de corpos que se chocam
acabam e se esfolam
Atenção em todas as direções
Tiros de canhões
Um sorriso liberto
de uma estrela decadente
E do seu solo, nasce forte
se entrega completamente
ao seu samba de raiz
Ela sempre pede bis
Na batucada de bamba
seu coração fica perdido
pedindo alguma chama
de um fogo não acendido
Uma explosão de passos
com as palavras que canta
emocionando os seus olhos
de uma alegria que encanta
E morreria feliz
escutando o seu último samba
Rosa
Ela vai vivendo cada instante
com a cor que aparecer
Com seu espírito delirante
ela quer apenas conhecer
Com os olhos pela vida
ela fica a esperar
para ser compreendida
por alguém que saiba cantar
E sempre esquecida
ela quer se mostrar
sempre com a mesma ferida
não aguenta mais chorar
Na sombra da mesma árvore
ela implora um pouco de sol
Para seus raios suaves
penetrarem no seu desabrochar
De pétalas que se abrem
De corações que se encontrem
De beijos que se unem
De sorrisos que se entendem
Já não quer as mesmas palavras
que vem de todos os lados
E fica toda boba
quando alguém quer seus encantos
Se o medo vai para cá
Ela vai para lá
Se o mundo vem com a dor
Ela vai com o seu amor
Jasmim
Para ela não tem versos rimados
Vai tirando o pouco de significado
das palavras faladas por essas pessoas
de bocas amarelas e arredondadas
Quando ela passa por aqui
Vai nascendo por ai
Essa flor não fica presa a terra
De seus olhos rasgados
De uma embriaguez maluca
Vai distribuindo sorrisos
manchados com sua loucura
Essa flor vem debaixo do vento
De sonhos imagináveis
De uma alegria imutável
Sentem a presença natural
de seu amor inquebrável
Essa flor vai embora com as outras
De sua crença nos sentidos dobrados
De sua esperança fatídica
Voam no céu dessa menina
que ainda toma banho de chuva
Se o mundo vem a encontrar
Ele vai sem querer mudar
Essas flores
Elas vêm e vão
Na mesma ou em outra direção
Dentro de um pouco de felicidade
Vão deixar uma imensa saudade
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
O cheiro de flores que vem de lá
Ela vem com seu cheiro de flores
com todas as suas dores
uma mulher e seus amores
Ela vem com seus olhos castanhos
com seus jeitos estranhos
se destacando dos rostos risonhos
Ela quer o amor de um homem infeliz
chega bem perto do meu nariz
e quer ver todo mundo feliz
Ela quer os sonhos roubados do mundo
dentro de um boeiro imundo
de alguém muito vagabundo
Seu cheiro vai além do meu horizonte
chegando até muito longe
por trás da velha ponte
Atravessando todos os ventos que levou
gosta do sol que chegou
e de brincar com quem eu sou
Seu perfume conta as lutas das nossas lendas
os mistérios das nossas vidas
e a sensualidade das suas calçadas
Ela queria ser uma atriz do novo cinema
fazer assim parte de um poema
desvendendo o seu próprio dilema
Ela queria apenas me dar a solução
do meu adormecido vulcão
de um dia perdido de verão
Logo eu penso que tudo já acabou
quando seu cheiro passou
existindo no que começou
com todas as suas dores
uma mulher e seus amores
Ela vem com seus olhos castanhos
com seus jeitos estranhos
se destacando dos rostos risonhos
Ela quer o amor de um homem infeliz
chega bem perto do meu nariz
e quer ver todo mundo feliz
Ela quer os sonhos roubados do mundo
dentro de um boeiro imundo
de alguém muito vagabundo
Seu cheiro vai além do meu horizonte
chegando até muito longe
por trás da velha ponte
Atravessando todos os ventos que levou
gosta do sol que chegou
e de brincar com quem eu sou
Seu perfume conta as lutas das nossas lendas
os mistérios das nossas vidas
e a sensualidade das suas calçadas
Ela queria ser uma atriz do novo cinema
fazer assim parte de um poema
desvendendo o seu próprio dilema
Ela queria apenas me dar a solução
do meu adormecido vulcão
de um dia perdido de verão
Logo eu penso que tudo já acabou
quando seu cheiro passou
existindo no que começou
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Um dia com uísque
O tempo de gestação de um uísque varia muito e depende do seu processo de conclusão. Tem uísque que nasce com 8 anos que são os mais jovens e outros só com mais de 20 anos que já se apresentam para o mundo mais maduros e admirados , e por isso, mais cobiçados. O meu copo se sente muito bem com um uísque de 12 anos, não por acaso, é o que eu acabo apreciando mais frequentemente. Para prolongar a companhia do uísque, o misturo com 2 pedras de gelo, e vou tomando em pequenas e demoradas bicadas sem emoção. Assim, passo o meu dia como uma mulher casada. Lavando e passando roupa, arrumando a casa e fazendo comida, com cabelo desarrumado, avental de flores, rosto machucado e corpo cansado. Olhos ainda brilhantes perdidos no tempo que passa massacrando meus últimos pedidos. Com o corpo pedindo repouso e o coração fraco, ela espera o afago do vento que entra quando a porta é aberta, mas que ainda encontra a casa deserta. E quando pensa que é feliz, a tristeza vem fazer o seu jogo, pedindo mais um trago de uísque. E agora, o gelo já derreteu, a dose desce pela garganta com a suavidade de uma mulher retraída em seu lar. Quando o copo se esvazia, enfim, o marido chega para o jantar. Ela se anima querendo que sua inocência seja violada, querendo ser traída pela ilusão de estar ao seu lado, porém quando percebe ele já está roncando virado de costas do outro lado da cama sem dizer uma palavra siquer. Uísque com duas pedras de gelo, por favor, ela diz para si mesma.
Dizem por ai que meninos sonham demais e penso que seja por isso que não tomam uísque. Mas depois que o dia passa, com os sonhos desgastados por tudo o que viveu, o menino, talvez nunca querendo, acaba virando homem para enfrentar o mundo. Cai nas fáceis graças do uísque em seu copo, e como ainda tem a energia da juventude explorando seu fogo excitado pelas belezas de um amor, o ritmo do encanto muda para uma rasgante entrada triunfal em sua garganta de um uísque puro. Lá vem a dona do cabaré, com seu rosto sofrido, mas com cuidado maquiado, seu caminhar enfeitado e sensual, sua boca com charme de princesa, e olhos que conquistam toda atenção que ela precisa ter. Ela se aproxima e diz pausadamente: para você, tudo amor, menos o cu, porque não está a venda. Apenas responde com um sorriso fingido que quer tudo o que ela oferecer. Todavia, o impacto calorento do uísque vai embora muito cedo, e só fica o fundo vazio do copo. Uísque com duas pedras de gelo, por favor, ele diz para si mesmo.
Dizem por ai que meninos sonham demais e penso que seja por isso que não tomam uísque. Mas depois que o dia passa, com os sonhos desgastados por tudo o que viveu, o menino, talvez nunca querendo, acaba virando homem para enfrentar o mundo. Cai nas fáceis graças do uísque em seu copo, e como ainda tem a energia da juventude explorando seu fogo excitado pelas belezas de um amor, o ritmo do encanto muda para uma rasgante entrada triunfal em sua garganta de um uísque puro. Lá vem a dona do cabaré, com seu rosto sofrido, mas com cuidado maquiado, seu caminhar enfeitado e sensual, sua boca com charme de princesa, e olhos que conquistam toda atenção que ela precisa ter. Ela se aproxima e diz pausadamente: para você, tudo amor, menos o cu, porque não está a venda. Apenas responde com um sorriso fingido que quer tudo o que ela oferecer. Todavia, o impacto calorento do uísque vai embora muito cedo, e só fica o fundo vazio do copo. Uísque com duas pedras de gelo, por favor, ele diz para si mesmo.
Flores sem cores
Sei que vão falar de mim
quando eu for pro botequim
me apoiar nas paredes de papel
e nunca mais ver o céu
A bola preta vai chegando na caçapa
enquanto eu peço a próxima cachaça
meu amigo ela desce indisgesta
pois adora fazer uma festa
Então, eu falo para a Nair
não deixa o meu coração cair
Não consigo mais explicar
por isso digo que não vou voltar
com olhos turvos fico tentado a ver
qualquer flor pelo meu belo prazer
com o andar torto ainda resisto
na ânsia de morrer ainda insisto
nessa incontrolável vontade de beber
Então, eu falo para a Cris
não deixa o meu coração por um triz
Vou me embora mudando de calçada
aqui não tem flor a ser admirada
e o destino será o próximo bar
já estou com vontade de cantar
Então, eu falo para a Sofia
não deixa o meu coração na covardia
Preso nos braços dessa eterna desilusão
vou dizendo que não perdôo mais a felicidade
apenas espero o meu corpo cair no chão
e de um sorriso acabado brindo com a saudade
dessas flores sem cores
Então, eu falo para a Paixão
não deixa o meu coração não
quando eu for pro botequim
me apoiar nas paredes de papel
e nunca mais ver o céu
A bola preta vai chegando na caçapa
enquanto eu peço a próxima cachaça
meu amigo ela desce indisgesta
pois adora fazer uma festa
Então, eu falo para a Nair
não deixa o meu coração cair
Não consigo mais explicar
por isso digo que não vou voltar
com olhos turvos fico tentado a ver
qualquer flor pelo meu belo prazer
com o andar torto ainda resisto
na ânsia de morrer ainda insisto
nessa incontrolável vontade de beber
Então, eu falo para a Cris
não deixa o meu coração por um triz
Vou me embora mudando de calçada
aqui não tem flor a ser admirada
e o destino será o próximo bar
já estou com vontade de cantar
Então, eu falo para a Sofia
não deixa o meu coração na covardia
Preso nos braços dessa eterna desilusão
vou dizendo que não perdôo mais a felicidade
apenas espero o meu corpo cair no chão
e de um sorriso acabado brindo com a saudade
dessas flores sem cores
Então, eu falo para a Paixão
não deixa o meu coração não
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