Deixe-me ir
Preciso ir
Deixe-me ir
Será que vai ficar?
Deixe-me ir
sem estar enrolado
Deixe-me ir
sem estar segurado
Deixe-me ir
caminhar pelas nuvens
Deixe-me ir
no balanços desses olhares
Deixe-me ir
fazer meus milagres
Deixe-me ir
encher esses corações com alegria
Deixe-me ir
distribuir sorrisos
Deixe-me ir
sorrir de tudo
Deixe-me ir
chorar com os braços abertos
Deixe-me ir
abrir o peito e cantar
Deixe-me ir
me entregar aos seus encantos
Deixe-me ir
mergulhar no seu mar
Deixe-me ir
viver minha fantasia
Deixe-me ir
fantasiar com a vida
Deixe-me ir
ainda te amando
Deixe-me ir
continuar a te amar
Deixe-me ir
Deixe-se ir...
sábado, 6 de março de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
A loucura reprimida
Então doutor, o que eu tenho?
Será que pode ser descrito?
Está em algum dos seus livros?
Você tem algum perfil para minha pessoa?
Talvez alguma filosofia para a minha vida?
Ou alguma patologia para a minha mente?
Com seu rosto sério e óculos estáticos,
será que vai achar alguma saída?
Não tenha medo de se perder
nos meus olhos arregalados
Você é o único que pode dizer
Você é quem manda aqui
Eu sou o resto da sociedade
que grita a sua própria loucura
Para que gritar tão alto?
Se logo, não poderei mais falar
Então, doutor?
Já sentiu essa dor?
Eu sei que você tem
algum remédio escondido
Pode me dar algum?
Elas chegaram na minha vida
Quem disse que eu tive alguma escolha?
Cuidaram da minha flor
Com um sol que não existia
Com as lágrimas de saudade
Minha flor não morreu
Já viu como ela está bem viva?
Sabe, doutor. Acho que as amo.
Tem algum diagnóstico para isso?
Eu não acredtio que essas
sejam suas únicas palavras
Palavras que vão murchando
Elas vão se deteriorando
Você não quer sair daqui?
Está preso em suas fortes convicções
Está enterrado nesse hospício
Sua vida se foi para tão longe?
Você não quer sair daqui?
Não precisa dizer mais nada
Dos choques na cabeça
Na mordaça na boca
Na cura dos doentes
No isoloamento dos loucos
Todos vão ficando mais sãos
Me diga, doutor, o que estamos fazendo aqui
enquanto o dia está lindo lá fora?
O que foi doutor?
Ela se suicidou, não foi?
Será que ela era louca?
O que?
Está chorando?
Pensei que psiquiatras não choravam
Pensei que isso fosse exclusivo dos loucos
Obs: Inspirado pelo filme Garota Interrompida
Será que pode ser descrito?
Está em algum dos seus livros?
Você tem algum perfil para minha pessoa?
Talvez alguma filosofia para a minha vida?
Ou alguma patologia para a minha mente?
Com seu rosto sério e óculos estáticos,
será que vai achar alguma saída?
Não tenha medo de se perder
nos meus olhos arregalados
Você é o único que pode dizer
Você é quem manda aqui
Eu sou o resto da sociedade
que grita a sua própria loucura
Para que gritar tão alto?
Se logo, não poderei mais falar
Então, doutor?
Já sentiu essa dor?
Eu sei que você tem
algum remédio escondido
Pode me dar algum?
Elas chegaram na minha vida
Quem disse que eu tive alguma escolha?
Cuidaram da minha flor
Com um sol que não existia
Com as lágrimas de saudade
Minha flor não morreu
Já viu como ela está bem viva?
Sabe, doutor. Acho que as amo.
Tem algum diagnóstico para isso?
Eu não acredtio que essas
sejam suas únicas palavras
Palavras que vão murchando
Elas vão se deteriorando
Você não quer sair daqui?
Está preso em suas fortes convicções
Está enterrado nesse hospício
Sua vida se foi para tão longe?
Você não quer sair daqui?
Não precisa dizer mais nada
Dos choques na cabeça
Na mordaça na boca
Na cura dos doentes
No isoloamento dos loucos
Todos vão ficando mais sãos
Me diga, doutor, o que estamos fazendo aqui
enquanto o dia está lindo lá fora?
O que foi doutor?
Ela se suicidou, não foi?
Será que ela era louca?
O que?
Está chorando?
Pensei que psiquiatras não choravam
Pensei que isso fosse exclusivo dos loucos
Obs: Inspirado pelo filme Garota Interrompida
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Brincando de esconder na árvore das folhas medrosas
Em um dia qualquer
alguém plantou uma árvore
com folhas medrosas
Ela está crescendo
nesses dia ensolarados e chuvosos
E nessa árovre que adotamos
Estamos brincado de esconder
Dizem por ai que é asim mesmo
brincam de fugir desses encantos
Eu queria usar minhas garrafas vazias
onde crianças usam para manter seus insetos
E guardá-las em uma ármario misterioso
Não era a minha vez de esconder?
Da minha boca
transborda o álcool
O que esperar de mim?
A fumaça de um cigarro
É assim que tudo termina
Do seus olhos
voam borboletas coloridas
que já foram lagartas
Não sabem para onde voar
Pousam na árvore de folhas medrosas
Esperando alguma ação
desse vento que não sopra
Ninguém sabe a direção
É a sua vez de se esconder
De um lado da árvore
você quer um beijo desesperado
Do outro lado da mesma árovre
Até quando eu tenho que contar?
alguém plantou uma árvore
com folhas medrosas
Ela está crescendo
nesses dia ensolarados e chuvosos
E nessa árovre que adotamos
Estamos brincado de esconder
Dizem por ai que é asim mesmo
brincam de fugir desses encantos
Eu queria usar minhas garrafas vazias
onde crianças usam para manter seus insetos
E guardá-las em uma ármario misterioso
Não era a minha vez de esconder?
Da minha boca
transborda o álcool
O que esperar de mim?
A fumaça de um cigarro
É assim que tudo termina
Do seus olhos
voam borboletas coloridas
que já foram lagartas
Não sabem para onde voar
Pousam na árvore de folhas medrosas
Esperando alguma ação
desse vento que não sopra
Ninguém sabe a direção
É a sua vez de se esconder
De um lado da árvore
você quer um beijo desesperado
Do outro lado da mesma árovre
Até quando eu tenho que contar?
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Quando um samba vira chorinho
Estou esperando alguém passar
por essa porta abandonada
com um violão tocando um samba
sem esperança
cantado com palavras de consolo
em um caminho dessas pedras pontiagudas
eu acabei sozinho, eu sei
Esse samba já virou chrorinho
com direito a essas lágrimas
que saiem desses olhos de aflição
Com essa dor já muito velha
de uma atenção negada
acompanhada de palavras mais rasgadas
nesse peito que se fechou, se fechou
Tropeçando na vida
caio nos braços da lua
e junto ao meu ouvido, ela diz
que eu posso ser feliz
por essa porta abandonada
com um violão tocando um samba
sem esperança
cantado com palavras de consolo
em um caminho dessas pedras pontiagudas
eu acabei sozinho, eu sei
Esse samba já virou chrorinho
com direito a essas lágrimas
que saiem desses olhos de aflição
Com essa dor já muito velha
de uma atenção negada
acompanhada de palavras mais rasgadas
nesse peito que se fechou, se fechou
Tropeçando na vida
caio nos braços da lua
e junto ao meu ouvido, ela diz
que eu posso ser feliz
sábado, 6 de fevereiro de 2010
O primeiro amor de um menino em um retrato preto e branco
Uma imagem borrada em movimento
pessoas entristecidas pelo tempo
não percebem, não olham, não notam
o menino observando
todos passando
Fragmentos em preto e branco
Partes desconexas de um mesmo ato
desencontros entrelaçados
que surgem da esquina ao lado
Dentro dos porões dessa mesma ditadura
Dentro dos padrões dessa mesma revista
Dentro de um olhar perdido, esquecido
Dentro de um menino
Essas lágrimas escorrem pelas beradas
de um retrato envelhecido
Cores desbotadas e sem brilho
do choro de um menino
Passas largos e rápidos
o silêncio do choro
o menino observando
todos passando
Dentro de um bomba atômica
Dentro de um grito
Dentro da última gota de dor
Dentro de um menino
Parado e ouvindo
o silêncio do choro
o menino observando
todos passando
O retrato está se desfazendo
com um toque do vento
pode desaparecer
pode esquecer
Uma força em volta dos corpos
repelindo, afastando, protegendo
tudo o que restou do vento
desse menino observando
todos passando
E com o sopro do vento
aparece uma menina
ao lado do menino
ficam obervando
todos passando
E com a força desse vento
eles fecham os olhos
seguram a mão um do outro
com a mesma intesidade
Passos largos e rápidos
o silêncio compartilhado
com os olhos fechados
todos passando
E o vento arrasta
o retrato caído
no chão do lamento
Era o primeiro amor de um menino
Mãos dadas
toques desmachados
batidas crescentes
sangue passando
veias pulsando
E o vento passa
olhos abertos
ficam observando
todos passando
Um encontro sem palavras
Um toque sem desculpas
Um gesto com suas asas
Era o primeiro amor de um menino
Uma imagem borrada em movimento
pessoas entristecidas pelo tempo
não percebem, não olham, não notam
O retrato em preto e branco
fica observando
todos passando
pessoas entristecidas pelo tempo
não percebem, não olham, não notam
o menino observando
todos passando
Fragmentos em preto e branco
Partes desconexas de um mesmo ato
desencontros entrelaçados
que surgem da esquina ao lado
Dentro dos porões dessa mesma ditadura
Dentro dos padrões dessa mesma revista
Dentro de um olhar perdido, esquecido
Dentro de um menino
Essas lágrimas escorrem pelas beradas
de um retrato envelhecido
Cores desbotadas e sem brilho
do choro de um menino
Passas largos e rápidos
o silêncio do choro
o menino observando
todos passando
Dentro de um bomba atômica
Dentro de um grito
Dentro da última gota de dor
Dentro de um menino
Parado e ouvindo
o silêncio do choro
o menino observando
todos passando
O retrato está se desfazendo
com um toque do vento
pode desaparecer
pode esquecer
Uma força em volta dos corpos
repelindo, afastando, protegendo
tudo o que restou do vento
desse menino observando
todos passando
E com o sopro do vento
aparece uma menina
ao lado do menino
ficam obervando
todos passando
E com a força desse vento
eles fecham os olhos
seguram a mão um do outro
com a mesma intesidade
Passos largos e rápidos
o silêncio compartilhado
com os olhos fechados
todos passando
E o vento arrasta
o retrato caído
no chão do lamento
Era o primeiro amor de um menino
Mãos dadas
toques desmachados
batidas crescentes
sangue passando
veias pulsando
E o vento passa
olhos abertos
ficam observando
todos passando
Um encontro sem palavras
Um toque sem desculpas
Um gesto com suas asas
Era o primeiro amor de um menino
Uma imagem borrada em movimento
pessoas entristecidas pelo tempo
não percebem, não olham, não notam
O retrato em preto e branco
fica observando
todos passando
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Ela queria apenas amar
Ela queria se banhar
e pedir um amor para o mar
as ondas caiam e tocavam
seus pés encolhidos
Ela esperava o mar
com uma rosa segura
em mãos feridas
olhava o horizonte
em olhos encardidos
e mal dormidos
Ela sempre pensava
Será que ela era
a tela de um quadro
de um pintor famoso
onde todos passavam
olhavam e admiravam
mas a sensação que ficava
era a de um objeto inanimado
sendo analisado e condicionado?
Será que ela era
uma personagem de um livro
de um escritor famoso
onde todos liam e reliam
aclamavam e sustentavam
mas a sensação que ficava
era que suas palavras
estavam petrificadas
eram esquecidas e guardadas
na gaveta ou em qualquer lugar?
Será que ela era
um délirio radiante
de um poeta de rua
que comia uma prostituta
na esquina de uma rua imunda
tentando deixar sua angústia
para alguém que mereça?
Ela ficava triste
muito solitária
depois de brigas
descasos e surras
confrontos, desencontros,
raivas e magoas
Suas lágrimas formavam palavras de lamento
nessa areia fofa que se transmformava
E o ritmo das ondas do mar lentamente
apagava as letras formadas
de um pranto que era levado embora
Ela queria apenas amar
e esperava qua a brisa do mar
chegasse com uma bela paixão
Ela queria apenas se entregar
uma rosa com beijo molhado
uma mulher com o olhar fisgado
que se perde no mar do seu coração
seja lá onde isso ia dar
seja como isso ia continuar
seja como sempre foi
seja como sempre será
Ela olhava para o mar
com esperança de encontrar
uma razão para ficar
Ela não queria voltar
Ela balançava com o mar
gostava dos carinhos
que o mar vinha lhe dar
Ficava excitada só de tocar
nas águas quentes e mornas
das ondas que não cansavam
de voltar e ver que ela
não cansava de olhar
Ela era aquela mulher
escondida no peito
de corações que se encontravam
para se perdoar
Ela era aquela mulher
escondida nos olhos
desses amantes descobertos
nas palavras de um poema
Ela era aquela mulher
com uma flor no cabelo
um sorriso no rosto
e com todo o seu amor no ar
Ela queria apenas amar
e ser amada pelo mar
Ela queria apenas amar
pois o mar a fazia sonhar
e pedir um amor para o mar
as ondas caiam e tocavam
seus pés encolhidos
Ela esperava o mar
com uma rosa segura
em mãos feridas
olhava o horizonte
em olhos encardidos
e mal dormidos
Ela sempre pensava
Será que ela era
a tela de um quadro
de um pintor famoso
onde todos passavam
olhavam e admiravam
mas a sensação que ficava
era a de um objeto inanimado
sendo analisado e condicionado?
Será que ela era
uma personagem de um livro
de um escritor famoso
onde todos liam e reliam
aclamavam e sustentavam
mas a sensação que ficava
era que suas palavras
estavam petrificadas
eram esquecidas e guardadas
na gaveta ou em qualquer lugar?
Será que ela era
um délirio radiante
de um poeta de rua
que comia uma prostituta
na esquina de uma rua imunda
tentando deixar sua angústia
para alguém que mereça?
Ela ficava triste
muito solitária
depois de brigas
descasos e surras
confrontos, desencontros,
raivas e magoas
Suas lágrimas formavam palavras de lamento
nessa areia fofa que se transmformava
E o ritmo das ondas do mar lentamente
apagava as letras formadas
de um pranto que era levado embora
Ela queria apenas amar
e esperava qua a brisa do mar
chegasse com uma bela paixão
Ela queria apenas se entregar
uma rosa com beijo molhado
uma mulher com o olhar fisgado
que se perde no mar do seu coração
seja lá onde isso ia dar
seja como isso ia continuar
seja como sempre foi
seja como sempre será
Ela olhava para o mar
com esperança de encontrar
uma razão para ficar
Ela não queria voltar
Ela balançava com o mar
gostava dos carinhos
que o mar vinha lhe dar
Ficava excitada só de tocar
nas águas quentes e mornas
das ondas que não cansavam
de voltar e ver que ela
não cansava de olhar
Ela era aquela mulher
escondida no peito
de corações que se encontravam
para se perdoar
Ela era aquela mulher
escondida nos olhos
desses amantes descobertos
nas palavras de um poema
Ela era aquela mulher
com uma flor no cabelo
um sorriso no rosto
e com todo o seu amor no ar
Ela queria apenas amar
e ser amada pelo mar
Ela queria apenas amar
pois o mar a fazia sonhar
sábado, 2 de janeiro de 2010
Ao pai dos abandonados
Em algum ano novo...
Não esperava nada daquela noite. Era mais uma noite solitária. O apartamento estava vazio, e só o vento fazia algum barulho quando passava por todos cômodos, pois o apartamento era projetado para aproveitar a brisa que vinha do mar. O apartamento ainda estava com seus enfeites de natal. A árvore montada com o pisca-pisca toda sobre ela, e bolas pintadas a mão na ponta de cada galho de plástico. Vários papais noeis, cada um de uma maneira diferente, estavam espalhados pelas mesas da casa, principalmente a da sala. O mais engraçado tinha uma cachaça na mão e estava sentado no alambique. Mais pisca-piscas na varanda. E um papai noel subindo uma escada completava a decoração natalina. Com certeza, não era ele que tinha arrumado tudo. Foi a mulher que ele amava, mas ele nunca disse, e ela nunca soube. Sempre se preocupou consigo. E até comprou um apartamento no Recreio, com o luxo que queria. Comprou um carro importado, pois todos no prédio tinham um. Ele não queria ficar para trás. Queria chegar junto deles. Eu estou aqui. Estão me vendo? E isso foi sempre o que quis. Agora, o apartamento estava vazio. E se ninguém ligava para ele. Ele não ligaria para ninguém. Sempre tivera um genio difícil. A cada ano ia ficando pior. Mais e mais brigas. E todos colocavam a culpa nas costas uns dos outros. E ele mandavam todos para o inferno. E ficava sozinho.
Já tinha tomada algumas latinhas de cerveja. A geladeira estava cheia. Se ele tinha um vício, era a cerveja. Precisava tomar todo dia. Sempre que ia fazer as compras do mês, comprava pelo menos uma caixa. Nesses dias solitários, ou festivos, ele comprava muito mais. Enchia a geladeira, e mal tinha espaço para a comida, que era carinhosamente feita pela a mulher que ele amava. Ela ficava o dia inteiro lá. Ela falava o que ele tinha que comprar, e ele comprava. Ela preparava tudo, sem reclamar, fazia com gosto. Depois, ela ia embora. Mas, ficava preocupada com ele. Ligava para saber se está tudo bem. Ele de mal humor, e sempre zangado, não respondia, ou era grosso no seu modo de falar. Acabava magoando-a. Ela ficava aflita. E sobrava para mim... Sempre disse que isso ia acontecer com ele. Ele era uma fortaleza. Daquelas que quando você diz oi, ou apenas olha mais fixamente, ele já puxa as suas armas e aponta para você, só para intimdar. Falava poucas palavras e não mostra nenhum afeto. Sei que o pai dele era assim também. Batia muito nele quando chegava bêbado. Só falava mais, quando era para falar do meu futuro. E como falava. Eu sempre o contrariava. Ele acabava ficando puto. Bebia e dormia. Eram as únicas coisas que fazia para se sentir melhor. Brigávamos muito. E já tivemos discussões sérias. Ele sempre tentou impor sua opinião, nunca conseguiu. Tentava impor sua vontade. Só por causa da mulher amada, eu deixava passar. E assim nós não víviamos.
Estava ficando de noite. Tinha dormido. Acordara com sono. A primeira coisa a fazer foi pegar uma latinha de cerveja da geladeira. Deu o primeiro gole e se sentiu melhor. Ia ser uma longa noite pela frente. Com sorte, dormiria antes da meia-noite. Ligara a televisão. E ficava assistindo aqueles programas chatos. Não tinha muito interesse, mas não tinha escolha. Não havia nada para fazer. Não procuraria outra coisa diferente. Tomava sua cerveja em um ritmo mais intenso, pois não gostava de cerveja quente. E na latinha, a cerveja esquenta bem rápido. Alguns fogos explodiam por ai. E escutava as explosões, seguidos de gritos de feliz ano novo. Mas foi outro barulho que o surpreendeu. Não acreditou no começo. Depois de alguns minutos a campainha tocou de novo. Foi anteder imaginando quem fosse. Não conseguiu visualizar. Abriu a porta um pouco e espiou. Era um menino.
- Oi, como você está? - perguntou o menino que coçava o olho.
Sem entender nada, respondeu.
- Estou bem, o que você quer?
O menino percebeu o tom rude, mas continuou sereno.
- Soube que você vai passar o ano novo sozinho.
- Sim, vou. - De novo com um tom bem rude.
- Eu não quero que você passe sozinho. - Ele ficou pasmo. Sentiu uma ponta de alívio, alguém se importava, mas se manteve firme. Pensou por um instante. Achou que não teria problema. Não faria nada de especial mesmo.
- Tudo bem.
Deixou o menino entrar. Depois que bateu a porta. Ele foi para a cozinha. Jogou no lixo a latinha vazia, foi a té a geladeira e pegou outra cheia. O menino ficou com os olhos atentos a todos os passos dele. Ele voltou para a sala. E viu o menino com os olhos nele. Eles ficaram um tempo assim. Ele sacou suas armas e quis instimidá-lo, mas nada o fazia desviar os olhos. Fez uma cara de lobo mal. E o menino não teve medo. Até que ele se zangou e perguntou furioso.
- O que está olhando?
O menino, de novo, sentiu o tom rude. Era cheio de certeza e protegido pela sua grossura.
- Eu não vou desisitr de você. - restrucou com uma voz suave e um pequeno sorriso.
Essa resposta o pegou desprevenido. Apenas saiu de fininho. E tomou mais um gole de cerveja. Foi para o sofá. E ficou lá. O menino andou pelo apartamento inteiro. Ia de um canto a outro. Passou um tempo. Foi parar no sofá. O menino percebeu as fotos em cima da mesa. Começou a fazer perguntas sobre elas. Ele não respondeu. O menino insistiu e mostrou a foto para ele. Ele pegou e lembrou. Foi aquela vez. Eu e sua mãe fomos para a Ilha Grande. Essa foto é em umas das praias. Não lembro o nome. Mas é uma bem escondida. Ficamos andando no mato por uma hora até chegar lá. A praia era linda. Faz muito tempo. E o menino foi pegando uma foto atrás da outra. Muito curioso. Essa, foi no nosso casamento. No altar. Ficamos tão bêbados nesse dia, que quase cai com ela em meus braços. Ele começava a ter vontade rir. O menino não se conteve e riu. E foi explicando cada foto. Lembrava de todas como se estivesse acontecendo agora, na sua frente. Mostrou outra. Isso foi no carnaval. Ah! O carnaval. Foi a primeira escola que desfilei. E lembrava dos blocos que participou. Dos acontecimentos hilários. Dos beijos perdidos. Das músicas cantadas. E da mulher que sempre amou. Estava na foto, junto com ele. Quanta saudade. O tempo passou rápido. Já era meia-noite. Os fogos explodiam. O barulho era imenso. Os gritos eram altos. Eles perceberam. Entre olhares, se abraçaram.
- Feliz Ano Novo, pai.
- Feliz Ano Novo, filho.
E amava o menino que não deixou ele ficar sozinho nessa noite solitária.
Não esperava nada daquela noite. Era mais uma noite solitária. O apartamento estava vazio, e só o vento fazia algum barulho quando passava por todos cômodos, pois o apartamento era projetado para aproveitar a brisa que vinha do mar. O apartamento ainda estava com seus enfeites de natal. A árvore montada com o pisca-pisca toda sobre ela, e bolas pintadas a mão na ponta de cada galho de plástico. Vários papais noeis, cada um de uma maneira diferente, estavam espalhados pelas mesas da casa, principalmente a da sala. O mais engraçado tinha uma cachaça na mão e estava sentado no alambique. Mais pisca-piscas na varanda. E um papai noel subindo uma escada completava a decoração natalina. Com certeza, não era ele que tinha arrumado tudo. Foi a mulher que ele amava, mas ele nunca disse, e ela nunca soube. Sempre se preocupou consigo. E até comprou um apartamento no Recreio, com o luxo que queria. Comprou um carro importado, pois todos no prédio tinham um. Ele não queria ficar para trás. Queria chegar junto deles. Eu estou aqui. Estão me vendo? E isso foi sempre o que quis. Agora, o apartamento estava vazio. E se ninguém ligava para ele. Ele não ligaria para ninguém. Sempre tivera um genio difícil. A cada ano ia ficando pior. Mais e mais brigas. E todos colocavam a culpa nas costas uns dos outros. E ele mandavam todos para o inferno. E ficava sozinho.
Já tinha tomada algumas latinhas de cerveja. A geladeira estava cheia. Se ele tinha um vício, era a cerveja. Precisava tomar todo dia. Sempre que ia fazer as compras do mês, comprava pelo menos uma caixa. Nesses dias solitários, ou festivos, ele comprava muito mais. Enchia a geladeira, e mal tinha espaço para a comida, que era carinhosamente feita pela a mulher que ele amava. Ela ficava o dia inteiro lá. Ela falava o que ele tinha que comprar, e ele comprava. Ela preparava tudo, sem reclamar, fazia com gosto. Depois, ela ia embora. Mas, ficava preocupada com ele. Ligava para saber se está tudo bem. Ele de mal humor, e sempre zangado, não respondia, ou era grosso no seu modo de falar. Acabava magoando-a. Ela ficava aflita. E sobrava para mim... Sempre disse que isso ia acontecer com ele. Ele era uma fortaleza. Daquelas que quando você diz oi, ou apenas olha mais fixamente, ele já puxa as suas armas e aponta para você, só para intimdar. Falava poucas palavras e não mostra nenhum afeto. Sei que o pai dele era assim também. Batia muito nele quando chegava bêbado. Só falava mais, quando era para falar do meu futuro. E como falava. Eu sempre o contrariava. Ele acabava ficando puto. Bebia e dormia. Eram as únicas coisas que fazia para se sentir melhor. Brigávamos muito. E já tivemos discussões sérias. Ele sempre tentou impor sua opinião, nunca conseguiu. Tentava impor sua vontade. Só por causa da mulher amada, eu deixava passar. E assim nós não víviamos.
Estava ficando de noite. Tinha dormido. Acordara com sono. A primeira coisa a fazer foi pegar uma latinha de cerveja da geladeira. Deu o primeiro gole e se sentiu melhor. Ia ser uma longa noite pela frente. Com sorte, dormiria antes da meia-noite. Ligara a televisão. E ficava assistindo aqueles programas chatos. Não tinha muito interesse, mas não tinha escolha. Não havia nada para fazer. Não procuraria outra coisa diferente. Tomava sua cerveja em um ritmo mais intenso, pois não gostava de cerveja quente. E na latinha, a cerveja esquenta bem rápido. Alguns fogos explodiam por ai. E escutava as explosões, seguidos de gritos de feliz ano novo. Mas foi outro barulho que o surpreendeu. Não acreditou no começo. Depois de alguns minutos a campainha tocou de novo. Foi anteder imaginando quem fosse. Não conseguiu visualizar. Abriu a porta um pouco e espiou. Era um menino.
- Oi, como você está? - perguntou o menino que coçava o olho.
Sem entender nada, respondeu.
- Estou bem, o que você quer?
O menino percebeu o tom rude, mas continuou sereno.
- Soube que você vai passar o ano novo sozinho.
- Sim, vou. - De novo com um tom bem rude.
- Eu não quero que você passe sozinho. - Ele ficou pasmo. Sentiu uma ponta de alívio, alguém se importava, mas se manteve firme. Pensou por um instante. Achou que não teria problema. Não faria nada de especial mesmo.
- Tudo bem.
Deixou o menino entrar. Depois que bateu a porta. Ele foi para a cozinha. Jogou no lixo a latinha vazia, foi a té a geladeira e pegou outra cheia. O menino ficou com os olhos atentos a todos os passos dele. Ele voltou para a sala. E viu o menino com os olhos nele. Eles ficaram um tempo assim. Ele sacou suas armas e quis instimidá-lo, mas nada o fazia desviar os olhos. Fez uma cara de lobo mal. E o menino não teve medo. Até que ele se zangou e perguntou furioso.
- O que está olhando?
O menino, de novo, sentiu o tom rude. Era cheio de certeza e protegido pela sua grossura.
- Eu não vou desisitr de você. - restrucou com uma voz suave e um pequeno sorriso.
Essa resposta o pegou desprevenido. Apenas saiu de fininho. E tomou mais um gole de cerveja. Foi para o sofá. E ficou lá. O menino andou pelo apartamento inteiro. Ia de um canto a outro. Passou um tempo. Foi parar no sofá. O menino percebeu as fotos em cima da mesa. Começou a fazer perguntas sobre elas. Ele não respondeu. O menino insistiu e mostrou a foto para ele. Ele pegou e lembrou. Foi aquela vez. Eu e sua mãe fomos para a Ilha Grande. Essa foto é em umas das praias. Não lembro o nome. Mas é uma bem escondida. Ficamos andando no mato por uma hora até chegar lá. A praia era linda. Faz muito tempo. E o menino foi pegando uma foto atrás da outra. Muito curioso. Essa, foi no nosso casamento. No altar. Ficamos tão bêbados nesse dia, que quase cai com ela em meus braços. Ele começava a ter vontade rir. O menino não se conteve e riu. E foi explicando cada foto. Lembrava de todas como se estivesse acontecendo agora, na sua frente. Mostrou outra. Isso foi no carnaval. Ah! O carnaval. Foi a primeira escola que desfilei. E lembrava dos blocos que participou. Dos acontecimentos hilários. Dos beijos perdidos. Das músicas cantadas. E da mulher que sempre amou. Estava na foto, junto com ele. Quanta saudade. O tempo passou rápido. Já era meia-noite. Os fogos explodiam. O barulho era imenso. Os gritos eram altos. Eles perceberam. Entre olhares, se abraçaram.
- Feliz Ano Novo, pai.
- Feliz Ano Novo, filho.
E amava o menino que não deixou ele ficar sozinho nessa noite solitária.
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